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O card de lutas do WGP Curitiba, que acontece no próximo dia 1 de julho, está recheado de emoções e duelos de tirar qualquer um da cadeira. Além da disputa de título e duas lutas bônus inéditas na organização, a edição 38 conta ainda com o Challenger GP da categoria dos super-leves (até 64,5kg), que conhecerá o novo campeão na luta principal da noite. E uma dessas semifinais é entre o paulista Vinicius Bereta e o paranaense Inglesson de Lara. Os dois atletas vivem situações distintas, já que Bereta fez a maioria de seus duelos no WGP e atuará fora de casa enquanto Inglesson estreia na organização e terá a torcida toda a seu favor.

Natural de Santo André, no ABC Paulista, Vinicius Bereta é praticante de kickboxing há apenas cinco anos, mas engana-se quem pensa que sua relação com as artes marciais surgiu nesse mesmo período. Filho de um lutador de karatê, Bereta iniciou na modalidade quase em paralelo aos seus primeiros passos, com três anos de idade. A inspiração quando criança veio do carateca e kickboxer Glaube Feitosa, que fez história no K-1. A vida na luta prosseguiu com o apoio da família, mas a maior dificuldade de Vinicius veio aos 20 anos na transição do karatê para o kickboxing.

“Eu tive uma transição muito difícil do karatê para o kickboxing. Eu era campeão Sul-Americano na minha modalidade. Quando fui lutar kickboxing, eu não estava acostumado, principalmente pelo fato de levar soco no rosto. Comecei a achar que eu era medroso, que não ia progredir e não ia melhorar. No começo achei que não ia render e que não era feito para isso. Via as pessoas levando soco no rosto sem medo e eu fechava o olho na hora de levar o soco. Atrapalhou no começo, mas consegui progredir. Foi questão de treinamento e adaptação e hoje, obviamente, isso não é problema”, conta.

Depois de perder o trauma, Bereta iniciou sua trajetória no kickboxing profissional e soma 11 lutas disputadas com oito vitórias e três derrotas. Sua estreia no WGP #17, em dezembro de 2013, e desde então ele fez sete lutas na organização, alternando vitórias e reveses. A fase atual é a melhor da carreira, com dois triunfos consecutivos no evento. Ele dedica o bom momento à sua equipe União ABC e sonha com o cinturão da categoria.

“Na verdade, quando eu entrei no WGP, minha primeira luta foi contra o Djavan, que é um atleta duríssimo, lutei bem e estava até ganhando, mas levei um nocaute no fim do terceiro round. O problema era eu, que não tinha me encontrado como atleta, apesar de todo o suporte das minhas equipes anteriores. Hoje, estou na equipe União ABC e me encontrei como atleta. O Danilo William, meu treinador, foi responsável pelo meu amadurecimento neste sentido. Venho crescendo bastante e me desenvolvido muito desde que entrei nessa equipe”, afirma, para completar ainda o que espera de Inglesson de Lara, adversário do próximo dia 1º.

“Já o vi lutar uma vez e acho bem completo. Trabalho de perna e boxe dele são bacanas. Sinceramente, acho que vai ser umas lutas mais fortes que fiz até hoje na minha carreira. Entre todos é o cara mais complicado. Eu vou jogar o meu boxe em cima dele e acredito que vai anular ele. O caminho é encurtar a distância e manter a minha estratégia”, encerra.

Lutando em casa, Inglesson projeta estreia com o pé direito

A trajetória de Inglesson de Lara também não começou no kickboxing. Natural de Ponta Grossa, no Paraná, ele praticou taekwondo desde os quatro até os 18 anos de idade e chegou a fazer parte da Seleção Brasileira da modalidade. Com apoio somente da mãe entre os familiares, ele se mudou para Curitiba para se manter através das artes marciais dando aula e influenciado por nomes como Anderson Silva e Wanderlei Silva, ele lembra das maiores dificuldades.

“Já trabalhei como pedreiro e com pintura, mas me encontrei dando aula de artes marciais. Passo bastante dificuldade ainda, o esporte é um pouco mal visto pela galera. Mas também nunca pensei em desistir. Às vezes a gente para pensar que é complicado. Minha maior motivação é minha mãe, que sempre batalhou por mim. Meu objetivo é poder ajudar quem precisa, lá em Ponta Grossa têm muita criança perdida sem ter quem ajude. Muito talento desperdiçado. Quero poder ajudar lá na frente”, afirma.

Há cerca de cinco anos, o lutador passou a praticar kickboxing e sua caminhada já lhe rendeu 15 lutas profissionais, com 13 vitórias e apenas duas derrotas. Ele faz sua estreia no WGP diante de Vinicius e sabe que terá dificuldades, mas conta com o apoio do público para sair vencedor.

“Se eu pudesse escolher ia querer sempre o apoio da torcida. Me faz buscar ainda vez mais a vitória, mas penso que me concentrar na luta é o mais importante. Eles dão força sim, desde a preparação até não só na luta. Influencia bastante lutar em casa”, garante. “Cheguei a assistir algumas lutas do Vinícius. Eu não sei a estratégia dele, mas vi que é bastante técnico. Acredito que vai controlar e tentar pontuar mais. Eu vou fazer o meu jogo e tentar o nocaute com certeza. O nível de todo mundo do WGP é bom, mas estou indo para ganhar. Tenho que pensar que sou o melhor e com essa ideia que entro no ringue”, finaliza.

O vencedor do duelo entre Vinicius e Inglesson encara quem levar a melhor na outra semifinal, no duelo entre Samuel Pereira e Jordan Kranio. O ganhador do GP fatura a chance de disputar o cinturão da divisão dos super-leves, que decide na mesma noite o novo campeão, no combate principal da noite entre Paulo Tebar e Guilherme Sanchos. O WGP Curitiba conta ainda com duas lutas bônus após o main event, entre Ariel Machado e o argentino Lucas Alsina e Jhonata Diniz diante do paraguaio Carlos Meza.