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A noite do último sábado, dia 22 de julho, foi especial para a paranaense Val Stanski. A lutadora destronou a capixaba Barbara Nepomuceno na luta principal do WGP #39, que aconteceu em Vitória, no Espírito Santo e se tornou a nova campeã dos super-médios (+70kg). A conquista veio após uma grave lesão no joelho esquerdo de Barbara, o que deixou um gostinho amargo na paranaense, mas não diminui o tamanho do seu feito, segundo ela. A lutadora rebateu ainda as críticas que recebeu antes do
evento pelo seu porte físico e acredita que a vitória abre muitas portas para atletas mais pesados se motivarem a saírem só dos treinos e passarem a competir também.

O posto de zebra não incomodava Val Stanski antes do evento, pelo contrário. A lutadora de 31 anos, nascida e criada em Ponta Grossa, no interior paranaense, buscou no favoritismo da rival a sua motivação para conquistar o cinturão do WGP. Depois de um início muito estudado, Val parecia conseguir impor seu jogo e anular os pontos fortes de Barbara. Até que no meio no segundo round, após aplicar um low kick, ela viu a capixaba sentir uma grave lesão no joelho, que a impediu de continuar no duelo apesar da tentativa de retornar.

Não há como saber se o golpe ajudou na torção de Barbara, mas o fato é que Val Stanski se tornou a nova campeã do WGP. E ela não escondeu a felicidade pela conquista, apesar de admitir um gostinho amargo pela lesão da adversária.

“Fiquei muito feliz por trazer o primeiro título do WGP para o Paraná. Treinei bastante e consegui colocar meu jogo em cima dela. Mas também fiquei muito chateada pela lesão, esperávamos dar um show e de certa forma ficou um gosto amargo”, afirmou Val, para completar sobre o momento da lesão.

“Eu não sei se ela se machucou pelos chutes baixos, eu até evitei golpear a região na hora que vi que ela sentiu o joelho, não queria provocar uma lesão pior mesmo querendo vencer. Obviamente eu preferia que não terminasse dessa forma, temos competições pela frente, mas não vou deixar de festejar um título que tanto batalhei. Não foi do jeito que eu queria, estaria muito mais feliz se ela não tivesse se lesionado, mas sou a campeã e isso é muito importante para mim”, afirma Val.

Assim que o duelo acabou, Barbara, ainda aos prantos, fez um pedido nos microfones do WGP. A capixaba, que foi derrotada em casa diante de sua torcida, solicitou uma revanche a nova campeã e foi prontamente atendida. Mas Val não descarta a possibilidade de defender o cinturão antes de encarar Barbara novamente.

“Vai depender do WGP. Eu aceitei a revanche na hora assim como ela me deu a oportunidade de disputar o cinturão. Se acontecer dela demorar um pouco eu estou aberta a enfrentar outra adversária antes sem problemas. Mas torço pela recuperação dela o mais rápido possível”, garante.

Depois de faturar o título, Val teve outra surpresa. Na chegada em sua cidade natal ela foi recepcionada com foguetório, carreata e muito carinho de amigos, companheiros de treinos e familiares. Todo esse reconhecimento serviu para a paranaense desabafar e levantar uma importante bandeira contra o preconceito e o bullying que sofreu pelo seu porte físico.

“Antes de eu subir no ringue teve bastante comentários sobre meu peso, isso incomodou um pouco. Vejo muitas mulheres que treinam, são pesadas e acabam não lutando por medo de preconceito. Acho que vou abrir portas para que essas pessoas deixem o bullying de lado. Se você tiver um treino adequado, uma alimentação regrada e tiver focado atrás do seu objetivo isso não vai ser problema. Lutamos na categoria mais pesada e isso é normal. Eu estava lá, dei a cara para bater contra tudo e
todos, e mostrei que essa questão do peso não influencia”, desabafa Val, que revelou ainda sua inspiração para a conquista.

“A gente tem exemplo do Roy Nelson, um grande lutador, que ninguém dá nada e ele sempre vai lá e mostra que é um atleta de alto nível independente do peso. Sou fã desse cara e com certeza foi uma das inspirações que tive na minha carreira para chegar até esse momento”, encerra.