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Um dos protagonistas da noite do WGP Kickboxing, nesta sexta-feira, dia 7 de abril, é o paranaense Bruno Cerutti. Ele encara o anfitrião Hector Santiago pelo título dos leves (até 60kg) na co-luta da noite, no ginásio do Morumbi, em São Paulo. Pupilo da lenda do kickboxing brasileiro, Deucélio Rodrigues, Bruno viu a chance da disputa cair no seu colo após a subida de categoria do ex-campeão Paulinho Tebar e promete não desperdiçá-la. O WGP #36 tem início às 19h30 e será transmitido ao vivo pelo Canal Combate, Fox Sports e Bandports a partir das 22h.

“Eu já esperava que o Tebar fosse subir de categoria. Até conversei com ele ano passado e ele já tinha me dito que iria subir. Com certeza isso facilitou minha caminhada com o cinturão, o Hector é o número um, provavelmente eu teria que fazer um outro GP para poder disputar o cinturão. Mas acho que foi bem justo, sou o segundo do ranking e me sinto bem preparado para trazer esse título para Guarapuava”.

Natural da cidade no interior do Paraná, a cerca de 250km da capital Curitiba, Cerutti nunca foi um aficionado pelas artes marciais. Com o início tardio, apenas aos 19 anos por influência de um primo, ele teve em casa o maior apoio. Seu pai, dono de uma borracharia na qual o filho ainda trabalha enquanto não consegue viver só do esporte, é o maior incentivador de Bruno. Depois que começou a pegar jeito pelo kickboxing e ver que seu destino era aquele, o lutador teve o apoio incondicional do pai, que passou até a treinar junto com ele.

“Eu sempre gostei de esportes de contato. Comecei a treinar a princípio como hobby, não tinha vontade de ser lutador. Mas fui me destacando dentro da academia, pegando gosto pela coisa, cada vez me dedicando mais e as coisas aconteceram. Meu pai foi um grande apoiador, quando viu que eu estava gostando começou a treinar comigo e sempre acompanhava de perto as lutas, me apoiando sempre”, afirma.

E para consolidar tantos anos de trabalho e de apoio do patriarca, Bruno sonha com o título para mudar de vez de patamar na carreira e viver só do esporte que aprendeu a amar, o que hoje não é possível. “O título do WGP mudaria muita coisa na minha carreira. Não consigo viver 100% do kickboxing, ainda trabalho com meu pai numa borracharia e não consigo me dedicar como um atleta deveria se dedicar.

Tenho certeza que com o cinturão muitas portas vão se abrir, aqui no Brasil ainda é difícil, não tem muito incentivo. Isso me motiva a vencer e trazer esse título”.

Espelho no mestre Deucélio Rodrigues e parte do camp em São Paulo

Além do pai, Bruno tem outra inspiração para a carreira. E ela vem de dentro da academia. O lutador é pupilo de Deucélio Rodrigues, tetracampeão mundial da modalidade e um dos maiores nomes do esporte nacional. “O Célio é um espelho mesmo para mim. Toda a história dele, dedicou uma vida inteira ao esporte. Saber que ele veio lá de baixo e chegou ao topo é um grande incentivo. Ter alguém como ele do meu lado é muito bom. Uma referência mesmo e sempre procuro ser parecido com ele como atleta”, elogia.

Apesar de toda a bagagem do treinador, Cerutti buscou alternativas para se preparar ainda mais para o duelo com Hector. Ele fez uma parte do camp na equipe União ABC, em São Bernardo do Campo (SP) e aproveitou o que o time tem de melhor: o material humano.

“Decidi ir treinar com eles de novo porque sempre acompanho os atletas da academia e sei que são muito bons. O Bruno Gazani, Vinicius Beretta, alguns nomes que eu admiro bastante fui beber um pouco da água dessa fonte. Lá o treinamento é bem intenso e isso certamente elevou meu nível. Me sinto muito bem na minha equipe também, mas conhecimento nunca é demais”, garante.

Aos 23 anos e com um total de dez lutas profissionais, sendo sete vitórias, Bruno falou ainda sobre seu adversário, o paulista Hector Santiago. “Eu sei que o Hector é considerado o favorito para luta, está invicto na organização. É um cara bem rápido combina bem os golpes, mas estou muito confiante. Acho que a velocidade dele é o que pode me trazer mais perigo, no restante eu considero que estamos bem nivelados. Vai ser uma guerra, mas o que prevalece e o respeito. Sempre estamos lutando juntos, acompanho as lutas dele e quando acabar volta tudo ao normal. Espero sair vencedor”, finaliza.