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A história do paulista Wilson Djavan poderia se confundir facilmente com um roteiro de novela. Dançarino profissional e lutador de kickboxing, o atleta, que já fez de tudo um pouco na vida, conta como a dança o ajudou no crescimento no esporte e fala sobre a preparação e as expectativas às vésperas do WGP #36 onde encara o ex-companheiro de treinos e amigo pessoal Paulinho Tebar, pela divisão dos super-leves (até 64,5kg).

Nascido e criado em São Paulo, o hoje lutador e dançarino Wilson Djavan não guarda boas recordações de sua infância. De porte físico pequeno e acima do peso, o paulista sofreu quando criança no colégio e apesar de não levar desaforo para casa quase sempre se dava mal. O bullying sofrido na infância o motivou a entrar para as artes marciais aos 16 anos praticando capoeira, até então uma diversão.

Aos 18 anos teve seu primeiro contato com uma academia de lutas, mas não foi dentro do tatame. Djavan conseguiu um emprego como recepcionista em Taboão da Serra e ali foi apresentado, de fato, às artes marciais.

“Na academia fui apresentado ao Flávio Álvaro, lutador de MMA e meu primeiro mentor, e comecei a treinar jiu-jitsu e MMA. Mas foi difícil conciliar os horários porque além da academia eu trabalhava em uma ONG com crianças, algo que sempre tive vontade. Lá eu dava aulas de capoeira, fazia recreação infantil e cheguei até a dar aulas de tênis, pela necessidade que eles tinham e acabei me adaptando”, conta.

Apesar da dificuldade, Djavan queria se manter na luta e foi indicado por Flávio a um conhecido para treinar kickboxing, modalidade na qual poderia ter tempo para competir. Depois de alguns meses de incerteza se ia permanecer ou não na nova academia, Djavan fez seus primeiros duelos amadores e a partir daí não parou mais. “Quando comecei a treinar kickboxing me apaixonei e já comecei a competir. Fiz 15 lutas amadoras, perdi apenas uma e vi que tinha qualidade para ser um lutador profissional. Ali iniciei minha saga”.

Início na dança foi dentro da academia
Apesar da resistência inicial na família, Djavan começou a ter sucesso no esporte e o reconhecimento em casa foi questão de tempo. Cerca de quatro anos depois de iniciar no esporte, o paulista começou a dar aulas de kickboxing e muay thai e aos poucos foi se aperfeiçoando até ser apresentado a outra paixão de sua vida: a dança.

“Eu estava sofrendo muito com uma lesão séria no joelho e cheguei a pensar que não poderia mais lutar. No meio dessa dúvida eu terminei um relacionamento e, para não me afundar na tristeza, comecei a frequentar as aulas de dança na academia onde eu dava aula de kickboxing. De início foi mais para ocupar a cabeça e perder um pouco da timidez que eu sempre tive. Ao ver que estava me aperfeiçoando, resolvi começar a disputar campeonatos de dança sertaneja. Fui campeão três vezes. Dali em diante comecei a me especializar em outros tipos de dança e virei professor”, relembra.

Hoje, Djavan concilia as aulas de dança com as de kickboxing e conta no que uma atividade ajudou no desenvolvimento da outra. “Eu fiquei empolgado com essa vida dupla e apesar da dança não me ajudar diretamente na luta já que era uma coisa mais de casal, dança colada, de menos movimentação, me ajudou muito na parte psicológica, de ter mais postura, me impor mais e assumir a responsabilidade da situação”, revela.

Djavan, inclusive, se recorda de uma situação inusitada que viveu já dentro do WGP Kickboxing. “Quando eu disputei meu primeiro GP no WGP eu estava competindo em um torneio de dança em paralelo, que dura entre sete e oito semanas, então eu fiquei um tempo treinando, perdendo peso e ensaiando as coreografias. Por acaso, a etapa final caiu no dia seguinte ao evento que ia lutar no WGP e foi meio desesperador. No final das contas eu venci o GP no sábado e ganhei também o torneio de dança no domingo. Essa foi a prova de que eu poderia continuar com as duas atividades”, lembra.

Motivação extra para duelo com ex-companheiro Paulinho Tebar
Hoje, aos 31 anos, Djavan soma números expressivos na carreira de lutador profissional. No total foram 51 lutas disputadas, com 38 vitórias sendo 22 por nocaute. No WGP, o paulista vai para o oitavo duelo. E o adversário no WGP #36 é um velho conhecido.

“O Tebar é um amigo de longa data, treinamos juntos por muito anos. O treinador dele, o Veras, foi meu treinador por muito tempo e tenho muito dele no meu jogo. Lá atrás eu aconselhei o Tebar a lutar na divisão de 60kg para não nos enfrentarmos e ele seguiu meu conselho, sendo muito bem-sucedido. Hoje, nós não treinamos mais juntos e apesar da amizade é aquela coisa, dentro do ringue ele vai ser meu pior inimigo e meu objetivo é passar por cima. Quando acabar a luta volta a ser meu amigo e um cara que eu respeito demais, mas lá dentro eu quero fazer com que ele se arrependa de ter subido de categoria e volte para onde era dominante”, garante Djavan.

Além do combate entre Tebar e Djavan, o WGP #36 estreia em 2017 com disputas de cinturão entre os pesos meio-médios (até 71,8kg) e leves (até 60kg). Atual campeão dos meio-médios, Ravy Brunow defende seu título na luta principal da noite diante de Marcelo Dionísio, vencedor do último Challenger GP da divisão. No co-main event, entre os leves, Bruno Cerutti encara Hector Santiago na briga pelo cinturão atualmente vago depois da subida de divisão do próprio Paulinho Tebar.