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A espera está chegando ao fim. Nesta sexta-feira, dia 7 de abril, o WGP Kickboxing inaugura a temporada de 2017 com a 36ª edição do maior evento de trocação da América Latina. E a grande estrela da noite é novamente o baiano Ravy Brunow, que encara o desafiante Marcelo Dionisio pelo cinturão dos meio-médios (até 71,8kg) na luta principal da noite no ginásio do Morumbi, em São Paulo. Esta será a terceira defesa de título de Ravy, que esquece o favoritismo e projeta um novo triunfo para se manter invicto no evento. O show tem início às 19h30 e será transmitido ao vivo pelo Canal Combate, Fox Sports e Bandports a partir das 22h.

Natural de Eunápolis, cidade de cerca de 115 mil habitantes no sul da Bahia, Ravy Brunow começou nas artes marciais aos 14 anos praticando muay thai e não demorou muito para migrar para o kickboxing. O que começou apenas pelo objetivo de se defender na escola onde estudava, virou paixão e ele decidiu seguir a carreira. Aos 18 anos, abandonou família e amigos e embarcou rumo a São Paulo em busca do sonho de ser lutador. Mas a vida na capital paulista não foi fácil e Ravy passou dificuldades nos dois primeiros anos.

“Vim da Bahia para São Paulo na cara e na coragem. Deixei toda minha família lá e já estou há dez anos aqui. Fiquei uns dois anos comendo só arroz e salsicha porque não tinha dinheiro para comer. Hoje consigo me manter dando aulas e no tempo livre me dedico aos treinamentos”, afirma o atleta, que hoje está com 28 anos.

Apesar da idade, ele soma um currículo de um veterano no kickboxing profissional. Invicto no WGP em oito duelos disputados, ele soma 65 lutas na carreira, com 56 vitórias. Entre os títulos estão os campeonatos brasileiro e pan-americano de kickboxing, além do cinturão peso-meio- médio do WGP, que Brunow defende pela terceira vez diante de Dionísio. O adversário, Marcelo Dionisio, é conhecido de Ravy, que numerou as qualidades do desafiante.

O Dionisio é um atleta imprevisível, não tem a técnica como seu forte, mas é um cara que tenho que estar atento o tempo todo para não ser surpreendido”, afirma Ravy, para completar sobre o favoritismo para o duelo visto por todos os amantes do kickboxing.

“Em relação ao favoritismo eu não enxergo dessa forma, nunca me achei favorito de nada e penso que  se eu entrar com esse pensamento na luta só tenho a perder. Confiança é uma coisa e eu tenho muito, mas soberba é outra e isso não faz parte de mim. Sendo considerado favorito ou não, vou lutar com sangue nos olhos para manter meu cinturão”, garante.

Como não podia faltar uma pimenta no duelo, Ravy e Dionisio tem uma história curiosa em comum. A conquista do cinturão por Ravy Brunow, aconteceu no WGP #24 após vencer o Final Four com dois duelos na mesma noite. A curiosidade fica por conta do adversário na final, o veterano Tadeu San Martino, grande nome do kickboxing nacional e mestre de Marcelo Dionisio, que promete vingar o mentor.

“Acho super válido se ele querer vingar o mestre dele, mas eu acho difícil que ele consiga. Estou na ponta dos cascos, muito bem preparado e não me vejo sendo derrotado. Ganhei do mestre e quero ganhar do aluno”, brinca Ravy.

O baiano ainda projeta o futuro em caso de manutenção do cinturão e não esconde a vontade de um duelo internacional pelo WGP. “Meu objetivo depois dessa luta é fazer algumas lutas internacionais. Espero que o pessoal possa trazer algum gringo para lutar comigo, que já cansei de enfrentar os brasileiros”, diverte-se.

Além da disputa entre Ravy e Dionisio, o WGP #36 conta com outra luta pelo cinturão. Na divisão dos leves (até 60kg), Hector Santiago e Bruno Cerutti decidem o novo detentor do título, atualmente vago. A noite tem ainda o Challenger GP da mesma divisão, com um representante de cada país da América do Sul e que define o próximo desafiante ao título, e outros três duelos internacionais de tirar o fôlego.