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O principal motivo da ansiedade dos fãs para a volta do WGP Kickboxing no estado do Espírito Santo tem nome e sobrenome: Barbara Nepomuceno. Atual campeã dos super-médios feminino (+70kg) do evento, a capixaba é a grande estrela do WGP #39, que acontece neste sábado, dia 22, na Arena Vitória, na capital do estado. Ela encara a paranaense Val Stanski na luta principal da noite em sua primeira defesa de título. O duelo em casa é uma motivação e tanto para Barbara, que terá o apoio de todos os
familiares, amigos e alunos para encarar a oponente, de quem nutre uma boa relação de amizade construída ao longo das trajetórias profissionais de ambas.

Aos 27 anos, Barbara Nepomuceno é mais um caso daqueles atletas que tiveram no esporte a grande mudança de vida. Formada em geografia e com um passado como professora de uma escola em Cariacica, onde foi nascida e criada, ela só conheceu o kickboxing há sete anos e desde então viu a modalidade mudar sua vida aos poucos. A grande virada na carreira aconteceu em 2014 depois da a conquista do título mundial amador de kickboxing no ano anterior, que a fez abandonar o trabalho como professora, mudar de academia e se dedicar exclusivamente ao esporte. Barbara é hoje a única atleta brasileira, entre homens e mulheres, a ter sido campeã mundial em modalidades de ringue pela WAKO, entidade que rege o Kickboxing no mundo.

Desde então, a capixaba soma resultados expressivos na carreira como o heptacampeonato brasileiro, conquistado no último mês de junho. A disputa serviu como preparação para o duelo com Val Stanski pelo WGP #39, naquela que será sua primeira defesa de título no evento. “Eu já venho em uma preparação forte desde o início do ano. Para essa luta temos algumas estratégias em mente que foi só questão de ajuste nos treinos mesmo, não houve muita alteração da parte técnica em geral. Essa fase
final demos um aperto em cima do jogo da minha adversária, mas não tem muito segredo. Estou pronta para chegar lá e dar o show que todos esperam”, afirma.

No WGP, Barbara defende ainda uma invencibilidade em três duelos disputados. Na estreia, vitória sobre Camila Guimarães por decisão unânime, depois na edição 26 um verdadeiro show contra Talita Moreno e para coroar as atuações disputou o cinturão diante da chilena Aylin Sobrino, no WGP #32, e mais uma vez levantou o público com uma bela vitória. Agora chegou a hora da capixaba finalmente atuar no Espírito Santo, diante de sua legião de fãs. E isso, segundo Barbara, é só motivação para sair vencedora ao final do duelo.

“Estou muito feliz com a oportunidade de lutar na minha casa. Só vejo o lado positivo disso e não ponho nenhum tipo de pressão. Sempre fui muito responsável com minha preparação, sempre me cobrei muito, então já tenho essa parte da cobrança interna mesmo. O fato de eu lutar em casa não pode influenciar negativamente de forma alguma, estou usando isso como energia e não como pressão. O fato de poder encabeçar um card do WGP na minha casa sendo eu uma mulher é importante. Para todas as meninas que vem buscando um espaço no cenário também do kickboxing. Só vejo coisas boas de atuar em casa, acho que vou dar um show”, prevê Barbara que terá pela primeira vez a presença de toda a família na arquibancada, incluindo pai, mãe, irmãos e até a avó.

Amizade com adversária de lado e apoio de parceiro de treino como motivação A adversária de Barbara, Val Stanski, é uma velha conhecida. As duas nutrem uma boa amizade pela convivência construída em vários campeonatos do circuito nacional e internacional. No mundial de 2015, quando eram as únicas representantes brasileiras na competição, as duas chegaram até a dividir o quarto e não pensavam que dois anos depois iriam decidir o título do WGP. Apesar da convivência será a primeira vez que elas vão se enfrentar e Barbara sabe o que esperar do jogo de Val.

“A Val é uma excelente atleta, tenho bastante respeito por ela. Por ela ser bem mais pesada que eu, é uma luta que vou traçar algumas estratégias para conseguir vencer. Apesar de não ser muita novidade porque já lutei com meninas de 1.94m e com mais de 100kg. Ela tem muita qualidade, merece estar nessa disputa, mas eu tenho plena confiança no meu trabalho, na estratégia que nós traçamos. Apesar de ela ser mais pesada eu tenho feito muito trabalho de força, aumentando meu poder de nocaute.
Minha principal característica é a movimentação, mas se precisa trocar, eu vou trocar. Na trocação franca, independente do adversário, você se expõe muito, então acredito não ser uma boa. Sei que ela por ser mais pesada tende a se cansar e vou trabalhar em cima disso”, garante.

Barbara tem ainda outra ajuda para garantir a manutenção do cinturão super-médios feminino. Ela é companheira de treino do peso-meio-médio Weber Shrek, um dos principais atletas da categoria e que disputa o Challenger GP da divisão na mesma noite. O treinamento em conjunto facilita em algumas situações, segundo Barbara. “O Shrek é meu parceiro direto de treino, estamos sempre juntos. Estamos fazendo uma preparação conjugada, treinos extras, tudo junto e isso facilita bastante. Um cara que me ajuda muito, bate forte para caramba (risos). Vejo ele com grandes chances de conquistar esse Challenger. Aqui é um pelo outro sempre”, finaliza.

O evento conta ainda com o Challenger GP dos meio-médios (até 71,8kg) que define o próximo desafiante do campeão Ravy Brunow. Marcelo Dionisio, Luis Castañeda, Sebastian Martino e Weber Shrek brigam pelo posto. Além disso tem as superlutas recheadas de atletas locais e de destaques do cenário sul-americano, com os duelos entre o chileno Felipe ‘Artillero’ e o capixaba Denis Souza Junior.