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A luta principal da edição 39 do WGP Kickboxing vai colocar frente a frente a campeã dos super-médios feminino da organização Barbara Nepomuceno e a paranaense Val Stanski. E se os fãs do evento conhecem muito sobre a capixaba atual campeã, o mesmo não se pode dizer da desafiante. Val Stanski carrega consigo um grande retrospecto no amador, com bons números e diversos títulos. Ela chega para a disputa com Barbara apostando na força de suas mãos para derrubar a oponente, até então invicta, e
levar o título do WGP. Para isso ela foca em algumas motivações pessoais para conseguir tal feito.

Natural de Ponta Grossa, no interior do Paraná, Val Stanski é diferente da maioria dos lutadores e não teve nas artes marciais a sua paixão da infância e adolescência, pelo contrário. O primeiro contato de Val com o esporte foi apenas há quatro atrás com o objetivo de sair do sedentarismo e perder peso. O que era para ser um sacrifício acabou virando uma paixão, que a paranaense não conseguiu parar mais.

“Eu comecei para perder peso mesmo e achava que seria um mega sacrifício fazer qualquer tipo de luta. Aos poucos fui pegando gosto para a coisa, apareceram oportunidades de competir e fui aceitando. Fui campeã do primeiro campeonato que participei, ganhando notoriedade no cenário paranaense e aí vi que poderia me profissionalizar. Ainda lutei o mundial, consegui um bom resultado e isso foi só me motivando mais. Foi uma experiência bem diferente começar tarde assim, meu foco é totalmente a para minha saúde, mas foi bem gratificante. Fica a sensação que poderia ter conhecido o esporte antes, mas agora vou atrás do reconhecimento”, afirma.

Hoje com 31 anos, Val sabe que foi necessário recuperar o tempo perdido. E com muita dedicação e esforço ela conseguiu títulos importantes no cenário amador, como o título pan-americano, o bicampeonato brasileiro e o tricampeonato dos Jogos Abertos do Paraná. Aos todo foram mais de 20 lutas disputadas com um aproveitamento próximo a 80%. E para conseguir todos os resultados, Val carrega ainda uma motivação extra: ela é mãe de dois filhos, um de oito e outro de 13 e ambos já praticam as artes marciais e contam orgulhosos dos feitos da mãe.

“Meu maior alicerce é minha família. Meu pai não apoiava muito, mas quando fui para o Mundial eles viram a dimensão do esporte e hoje me apoiam bastante. Mas minha maior motivação são meus dois filhos, poder vencer um título e dedicar a eles. Os dois treinam capoeira e kickboxing, levam as minhas medalhas para o colégio todo orgulhosos e isso me dá muita força para seguir em frente. Toda vez que eu entro no ringue eu penso neles. Sempre fiz questão de explicar o que são as artes marciais de fato, o respeito que existe e eles viram que, de certa forma, o esporte mudou minha vida”, conta.

Apesar de já ter superado muitos desafios que a vida lhe impôs, Val tem pela frente o principal obstáculo de sua carreira profissional. Além de fazer sua estreia no WGP ela, que concilia seus treinos com o trabalho em um escritório de mecânica agrícola, vai encarar uma pedreira. A capixaba Barbara Nepomuceno estará em casa, diante da sua legião de fãs, defendendo pela primeira vez o título super-médio do WGP. Além de carregar no currículo o feito de ser a única brasileira campeã mundial em
modalidades de ringue, entre homens e mulheres, Barbara é conhecida pela sua velocidade e potência nos golpes, mas Val afirma estar preparada para o que adversária pode lhe oferecer.

“Sei que vou pegar uma atleta técnica e muito dura, mas estou preparada para ir lá na casa dela e trazer esse cinturão. Ela tem uns giratórios e umas entradas muito boas, estou treinando bastante isso. Treino com homens e estou levando bastante porrada deles para chegar preparada (risos). Eu particularmente prefiro trocar, mas acho que ela não vai querer partir para a trocação franca comigo e vai rodar durante toda a luta. Mas eu estou pronta para velocidade dela e quero mostrar que posso vencê-la”, finaliza.

O evento conta ainda com o Challenger GP dos meio-médios (até 71,8kg) que define o próximo desafiante do campeão Ravy Brunow. Marcelo Dionisio, Luis Castañeda, Sebastian Martino e Weber Shrek brigam pelo posto. Além disso tem as superlutas recheadas de atletas locais e de destaques do cenário sul-americano, com os duelos entre o chileno Felipe ‘Artillero’ e o capixaba Denis Souza Junior e entre os brasileiros Guilherme Lyrio e Ramon Rozendo.