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A noite de lutas do WGP #52, no próximo dia 16 de dezembro, em Joinville, promete ser um marco na história da organização. A principal atração da noite é a presença do anfitrião Vitor Miranda, que retorna às suas origens na luta em pé para encarar o paraguaio Elias Rodriguez. E o duelo que vai aquecer o main event, é a co-luta da noite entre a argentina Andrea Salazar diante da brasileira Julie Werner em duelo que vale o título interino dos leves feminino (até 60kg), já que campeã Nina Loch está impedida de atuar por conta de uma lesão. Na primeira edição na cidade catarinense, Salazar vai atrás do cinturão interino e uma nova chance diante de Nina Loch, dessa vez valendo o cinturão, já que a argentina venceu a campeã com um nocaute relâmpago em uma superluta na edição 43, em 2017, sem valer o título.

Diferente da grande maioria dos lutadores a argentina Andrea Salazar começou na modalidade apenas aos 27 anos. Mas sua trajetória nos esportes vieram desde cedo. Dos seis aos 15 anos ela competiu no atletismo, até que precisou parar para trabalhar e só retornou muito tempo depois para ser apresentada ao kickboxing. Dali em diante foi paixão à primeira vista. Em sua única luta no WGP ela fez bonito. Diante campeã da categoria Nina Loch, em uma superluta sem valer o título, Andrea não tomou conhecimento e atropelou logo no primeiro round. Sua atuação, diante da sua torcida já que o evento foi em Buenos Aires, chamou muita atenção e a credenciou a disputar o cinturão diante da própria Nina, porém uma lesão da campeã abriu espaço para o duelo com Julie pelo título interino.

“Eu tenho treinado por meses para esse título, só saio do ringue com o título interino em mãos e o passaporte para lutar com a Nina. Na verdade, eu luto com quem eles colocarem, mas a campeã deveria querer lutar de novo comigo, com certeza nós duas concordamos que não houve luta, foram menos de 30 segundos. As expectativas são ótimas, não tenho nada a perder, mas tenho muito a ganhar. Não há atleta fora do Brasil que tenha o título do WGP, o que para mim seria uma grande conquista e para toda a América do Sul”, afirma Andrea que tem um total de nove vitórias em 11 lutas profissionais.

Andrea falou ainda um pouco sobre sua trajetória e relembrou um episódio marcante no seu início no kickboxing. Depois de procurar as artes marciais para resolver problemas de saúde, Andrea teve uma primeira experiência bem marcante e o que a motivou ao longo do tempo para seguir sua carreira.

“Eu decidi começar começar no kickboxing para tratar de problemas de saúde e estresse que estavam atacando fortemente meu intestino e meu peso estava em queda livre. Por isso meu médico me disse para fazer natação que eu prontamente recusei, porque nem mesmo flutuar eu consigo, pois tenho como uma fobia com a água em grande quantidade. Então comecei a treinar com um amigo, com quem já havia tentado e não gostei nada (risos), mas a segunda chance que dei ao esporte foi muito satisfatória. O estranho é que minha inspiração fui eu mesmo, já que logo no início tomei uma surra de uma faixa preta competitiva, acreditando, pelo meu físico, que eu era experiente. A partir dali prometi a mim mesma que eles nunca me bateriam assim. Mesmo me pedindo desculpas eu me senti humilhada e usei isso como motivação durante um bom tempo até me tornar profissional”, conta.

Apesar da idade, Andrea demonstra uma vontade de quem está começando e com passagens por países como Tailândia, México, Espanha, Uruguai, Paraguai e Chile, ela espera agora fazer história também no Brasil. Diante de Julie Werner, a argentina terá, provavelmente, o maior desafio da carreira e a chance de encarar novamente Nina Loch, dessa vez com o cinturão dos leves em jogo.